domingo, 5 de outubro de 2008

Seriola rivoliana



O Írio ou Almaco jack, a par do encharéu é um dos pelágicos mais desportivos do território Português.

Morfologia: peixe alongado, mais alto que o S. dumerili, bastante musculoso e hidrodinâmico. De cor acinzentada no dorso, mais claro ventralmente. Exibe uma barra escura na cabeça que se estende do olho ao início da dorsal. As barbatanas anal e dorsal são muito desenvolvidas. Pode atingir mais de 1m de comprimento.

Habitat: é geralmente encontrado em recifes (até aos 160m ou mais), formando cardumes de médias dimensões. Os exemplares jovens podem ser encontrados junto a corpos flutuantes.
Alimenta-se de peixes e por vezes de invertebrados.

Distribuição: ocorre em vários pontos do globo.

Características: A luta é parecida à do encharéu, mas levada ao extremo. Se o peixe conseguir roçar-se nas rochas, o corte da linha é imediato. Após a ferragem, deve-se manter o peixe afastado do recife e aguentar a violência do animal, tentando levantá-lo gradualmente na coluna de água, o que não é tarefa nada fácil.

Vulnerabilidade: o írio é um peixe bastante vulnerável, assumindo o catch and release uma importância fulcral para o futuro da espécie.

A ter em conta: em certos pontos do globo estes peixes podem causar envenamento por ciguatera (acumulação de toxinas).


S. Ferreira

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Pseudocaranx dentex

*exemplar devolvido após a captura

O encharéu é um dos pelágicos mais potentes e poderosos do território Português.

Morfologia: peixe compacto, musculoso e hidrodinâmico, exibindo uma tonalidade cinzento-prateada. Apresenta barbatanas ventrais longas e de cor amarelada. A barbatana caudal é longa e em forma de meia lua. Os maiores exemplares atingem de 12 a 15 kg.
Habitat: é geralmente encontrado em recifes, formando grandes cardumes.
Alimenta-se de peixes (carapaus, bogas, sardinhas, etc.) , podendo ainda consumir invertebrados.
Distribuição: ocorre no Algarve, na Madeira e nos Açores. Pode ainda ser encontrado no Mediterrâneo, Canárias, África do Sul, Japão, Austrália, Nova Zelândia, entre outros.

Características: é um peixe extraordinário que tive a felicidade de conhecer, por intermédio de um grande amigo meu.
Os primeiros instantes da luta são brutais e parecem decidir o sucesso do combate. Se o peixe conseguir roçar-se nas rochas, o corte da linha é imediato. Se após a ferragem, tivermos a sorte ou a experiência necessárias para evitar o corte da linha, espera-nos uma luta impressionante e violenta que parece não ter fim.
O material usado será levado ao limite. Ao subir, o encharéu colocar-se-á perpendicularmente à coluna de água, dificultando ainda mais a nossa tarefa.

Vulnerabilidade: o encharéu é um peixe que pode atingir 49 anos de idade. Assim sendo, podemos concluir que é uma espécie muitíssimo vulnerável.
O catch and release é quase obrigatório para garantir o futuro destes fantásticos e poderosos lutadores.
A devolução é o mínimo que podemos oferecer ao animal, pelo prazer que este nos proporcionou.
Aconselho todos os verdadeiros desportistas a fazerem-no a 100%.


S. Ferreira

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Carcinus maenas


O caranguejo verde, é um crustáceo que dispensa apresentações.
Devem existir poucas pessoas, que nunca tenham visto ou ouvido falar deste animal.

Morfologia: crustáceo decápode (10 patas) com uma carapaça de 60 mm de comprimento por 90 mm de largura. A coloração pode variar entre o acastanhado, o verde e o avermelhado, influenciada por fatores ambientais e genéticos.
Habitat: Encontra-se em zonas de ria ou em estuários. Frequenta todo o tipo de fundos, desde que estes tenham vegetação ou pedras e conchas.
É um animal muito voraz que devora qualquer coisa de origem animal. É também necrófago.
Ocorre na parte atlântica do continente europeu, até ao norte de África. Foi também introduzido noutros pontos do globo, onde assume estatuto de praga.
No Inverno permanece muito tempo enterrado ou escondido.

Aplicação: são utilizados inteiros como isco seletivo para as douradas, robalos e sargos de porte; cortados são muito utilizados para pescar a uma infinidade de espécies mariscadoras e o leque de aplicação é vastíssimo.
Conservação: devem ser mantidos num recipiente exclusivamente com algas (vulgo "estralos") . Podem aguentar de uma a cinco semanas, dependendo do tipo de caranguejo capturado.
Vulnerabilidade: é um crustáceo muito abundante.
Apesar disso, há mais de 15 anos atrás, foi bastante capturado, para venda em Espanha.

S. Ferreira

O minhocão

Grande verme, que apenas se pode encontrar no Algarve.

Morfologia: poliqueta de tons alaranjados e grandes dimensões, que atinge mais de 1m de comprimento. A velocidade que atingem no substrato em que se encontram é muito significativa.
Habitat: vive em fundos de areia ou mistos, na ria Formosa e nas praias Algarvias. Após os temporais, é normal em certas zonas o mar arrastar alguns exemplares para o areal.
Aplicação: estes vermes são utilizados seccionados (cortados); destinam-se principalmente à pesca de douradas, sargos e robalos, podendo porém capturar outras espécies.
Conservação: devem ser mantidos num aquário com água limpa/fresca e permanentemente oxigenada; deve haver a preocupação de gastar em primeiro lugar os exemplares que não estão inteiros (especialmente os que não possuem cabeça).
Vulnerabilidade: outrora muito abundantes, a captura desenfreada fez com que se tornassem mais difíceis de encontrar e muito menos numerosos; o preço que atingem atualmente é exorbitante; assim como para com outras espécies ameaçadas, impunha-se o controlo de capturas, o seu controlo (através de uma fiscalização responsável e eficaz) e defesos.

S. Ferreira

A salsicha


A salsicha é um verme sobejamente conhecido na zona Algarvia.

Morfologia: tem uma aparência inconfundível, apresentando um corpo cilindrico; a coloração pode variar entre o castanho claro e o rosa pálido.
Habitat: vive em fundos de areia ou mistos, na ria formosa e nas praias Algarvias.
Após os temporais, é normal em certas zonas, o mar arrastar muitos exemplares para o areal da praia.
Aplicação: estes vermes são utilizados inteiros (pequenas e médias dimensões), ou cortados em tiras (maiores exemplares); destinam-se à pesca das douradas, sargos e robalos.
Conservação: devem ser mantidas num aquário com água limpa/fresca e permanentemente oxigenada; também podem ser cortadas às tiras (proporcionais ao fim a que se destinam).
Se não forem utilizadas, poder-se-ão cortar, limpar e de seguida congelar num recipiente com água do mar.
Vulnerabilidade: outrora muito abundantes, a captura descontrolada para venda, fez com que se tornassem mais difíceis de encontrar; também para isso contribuíram os espanhóis, que clandestinamente as continuam a apanhar em grandes quantidades; para conseguir alterar a situação impunha-se o estabelecimento de zonas tampão e ainda a criação de defesos e controlo de capturas (com uma fiscalização responsável e eficaz).

S. Ferreira