quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Chegam ao Algarve os dois últimos linces


 
Com a chegada ao Algarve, no dia 2 de Dezembro, dos machos ‘Éon’ e ‘Calabacin’, ficou concluída a primeira população de linces-ibéricos do Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro, na Herdade das Santinhas, em Silves.

Os dois felinos, provenientes de La Olivilla, Espanha, juntam-se assim a ‘Azahar’ (a primeira a  chegar, no dia 26 de Outubro), ‘Daman II’, ‘Erica’, ‘Ébano’, ‘Enebro’, ‘Espiga’, ‘Era’, ‘Fado’, ‘Fresco’, ‘Fresa’, ‘Fauno’, ‘Foco’, ‘Eucalipto’ e ‘Drago’. Ao todo, seis fêmeas e dez machos, que vão reproduzir-se e permitir a reintrodução em Portugal do felino mais ameaçado de extinção do Mundo.
“Este é o mais ibérico dos programas de conservação que temos. Não só estes animais vieram de Espanha como as crias que vierem a ser libertadas em Portugal serão de cá ou do país vizinho, pois estamos a  trabalhar em rede e há uma comissão mista que decide em função da  diversidade genética quais os animais que serão libertados em cada local”, disse ao CM o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, que assistiu à chegada dos dois linces.
Para o governante, trata-se de “uma missão complexa e de grande responsabilidade”, cujo fim é, precisamente, a libertação dos linces na natureza, o que deverá ocorrer “dentro de três anos”, em “pelo menos uma zona”, que poderá ser o Vale do Guadiana, Moura/Barrancos ou a Serra da Malcata.
Nesse sentido, será  feito um trabalho de sensibilização junto da população em geral e, em particular, dos agricultores, caçadores e engenheiros do ambiente.
Também presente na Herdade das Santinhas, a conselheira do Ambiente de Andaluzia, Cinta Castillo, sublinhou o “tremendo êxito do programa de reprodução em cativeiro que tem vindo a ser desenvolvido em Espanha, com crias que deverão ser libertadas muito em breve” e “a satisfação de Portugal ter também o lince vivo, após 30 anos de desaparecimento”.


CENTRO EM SILVES
O Instituto da Conservação da Natureza e a autarquia de Silves vão criar um Centro que permita à população ver os linces.

350 LINCES NO MUNDO
A população total de linces no Mundo está estimada em 350 exemplares.


*Texto extraído do site do Correio da Manhã da autoria de Ana Palma 




quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A esperança renasce

Mais de trinta anos após o desaparecimento do lince em Portugal, o dia 26 de Outubro constitui uma data histórica para a espécie.
Azahar (em árabe flor de laranjeira), uma linda fêmea, deu os seus primeiros passos no Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro para o Lince-Ibérico (CNRCLI), num espaço de 800 m2 para si criados.


                                                                       Origem da Foto: DN
Este exemplar é proveniente de Espanha, mais concretamente da serra Morena (Andaluzia), onde foi capturada em Janeiro de 2006.
"Estava muito magra e tinha uma vértebra fracturada", conta Iñigo Sanchez, conservador do Zoobotânico. Foi tratada e escolhida para recuperar os linces-ibéricos em Portugal. Espera-se que consiga engravidar, pois até agora estava num meio urbano e stressante que se pensa que impediu a procriação. Azahar percorreu mais de 350 quilómetros desde o Zoobotânico de Jerez de La Frontera (Espanha) até ao centro, localizado junto à barragem de Odelouca (Concelho de Silves). O percurso foi efectuado lentamente para evitar assustar o animal, tendo direito a batedores da polícia.
Todos os pormenores foram meticulosamente tidos em conta. Maria José Coca, a sua tratadora, muito dificilmente conseguiu conter as lágrimas no momento da partida.
O CNRCI está localizado em plena serra algarvia, longe dos olhares indiscretos.
Azahar vai ser monitorizada a tempo inteiro por câmaras de vídeo, com o mínimo contacto possível com os seus tratadores. Vai esperar por dez machos e seis fêmeas que chegarão até dia 1 de Dezembro.
O presidente do ICNB esclareceu que trabalham há dez anos a criar habitats e coelhos-bravos, para que estejam reunidas as condições para o regresso da espécie a Portugal.
Em Espanha, conseguiram-se obter cerca de 50 crias em cativeiro, desde que se deu início a um projecto semelhante. Espera-se que em Portugal o sucesso seja idêntico.
"No futuro, a área de introdução vai desde a Beira Alta até ao Algarve", explicou Rodrigo Serra, director do CNRCLI. Dependendo da adaptação e das condições naturais, espera-se que dentro de dois a três anos os linces estejam reintegrados no meio natural. Só nessa altura será possível ver o lince-ibérico, porque até lá não há visitas.

Para o sucesso deste projecto serão vitais as seguintes medidas:
-introdução massiva de coelhos-bravos (alimento preferencial do lince);
-preservação de habitats através de medidas duras e eficazes;
-formação adequada de todos os habitantes do interior, explicando o porquê da necessidade deste felino na natureza;
-monitorização dos exemplares introduzidos posteriormente na natureza;
-implementação de penas pesadíssimas a todos os que de modo voluntário desencadeiem acções que ponham em causa a integridade de exemplares da espécie (é sobejamente conhecida por todos a atitude da maioria dos caçadores portugueses);
- prémios e ou benefícios muito significativos para todos os gestores de coutos/zonas de caça que fomentem a preservação da espécie, nas suas áreas;
-definição de medidas que permitam diminuír ou mesmo eliminar os riscos de morte por atropelamento (principal causa de morte);
-promoção da espécie junto dos mais jovens (nas escolas), pois estes desempenharão um importante papel no futuro.


As ameaças que pairam sobre o sucesso da reabilitação deste felino são muitas e a tarefa do ICNB/CNRCI, é deveras difícil.



                                                                          O rosto da esperança

Todas as medidas que possam ser decisivas para o regresso do lince a Portugal, contam incondicionalmente com a minha admiração e o meu apoio. A todos os intervenientes, desejo as maiores felicidades e êxito, pois nas suas mãos reside o futuro da espécie em Portugal e no mundo.
Um bem hajam!

S. Ferreira

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Polis Litoral Ria Formosa

Polis litoral ria formosa O Polis Litoral Ria Formosa é a primeira operação integrada de requalificação e valorização da orla costeira a entrar em fase de concretização. Neste âmbito foi constituída, pelo Decreto-Lei n.º 92/2008, de 3 de Junho, a Sociedade Polis Litoral Ria Formosa S.A. - Sociedade para a Requalificação e Valorização da Ria Formosa.

É uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, com a participação maioritária do Estado e minoritária dos municípios de Loulé, Faro, Olhão e Tavira. Tem por objecto a gestão, coordenação e execução do investimento a realizar na Ria Formosa, com vista à realização das operações previstas no Plano Estratégico e à prossecução dos seus fins.

O Plano Estratégico está elaborado, tendo por base o quadro estratégico da intervenção elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado por Despacho nº.18 250/2006, de 3 de Agosto, pelo Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional e aprovado pela Assembleia Geral da Sociedade e pelo município de Vila Real de Santo António.

As actividades desta entidade prosseguem os seguintes eixos estratégicos:

- Preservar o património natural e paisagístico, através da protecção e requalificação da zona costeira visando a prevenção de risco e da promoção da conservação da natureza e biodiversidade no âmbito de uma gestão sustentável;

- Qualificar a interface ribeirinha, através da requalificação e revitalização das frentes de ria, da valorização de núcleos piscatórios e do ordenamento e qualificação da mobilidade;

- Valorizar os recursos como factor de competitividade, através da valorização das actividades económicas ligadas aos recursos da ria suportada no seu património ambiental e cultural.

A Polis Litoral Ria Formosa propõe-se à realização de projectos e acções que conduzam ao desenvolvimento associado à preservação do património natural e paisagístico, que incluam acções de protecção e requalificação da zona costeira visando a prevenção de risco, a promoção da conservação da natureza e biodiversidade no âmbito de uma gestão sustentável, a valorização dos núcleos piscatórios e a qualificação e ordenamento da mobilidade na ria, a valorização dos “espaços” ria para fruição pública e a promoção do património natural e cultural a ela associado.

Para a área da Ria Formosa perspectiva-se uma intervenção em 48 km de frente costeira e em 57 km de frente lagunar nos Municípios de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António, incluindo a área protegida do Parque Natural da Ria Formosa.

Para o acompanhamento dos projectos são criadas comissões específicas, cuja composição deve traduzir a natureza dos interesses a salvaguardar em cada um dos espaços referidos. As áreas a reestruturar incidem nas ilhas da Culatra e da Armona, para as quais foram designadas quatro comissões para acompanhar os Projectos de Intervenção e Requalificação, em despacho de 24 de Outubro de 2008, pelo ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Francisco Nunes Correia.

As comissões são compostas por um representante de cada uma das seguintes entidades:

A) Plano de Pormenor da Praia de Faro:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Faro;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Faro;
  8. APRAFA – Associação para a Defesa e Desenvolvimento da Praia;
  9. Associação DUNAMAR;
B) Projecto de Intervenção e Requalificação - Culatra:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Faro;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Olhão;
  8. Associação dos Moradores da Ilha da Culatra;
C) Projecto de Intervenção e Requalificação – Armona:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Olhão;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Olhão;
  8. LAIA - Liga dos Amigos da Ilha da Armona
D) Projecto de Intervenção e Requalificação – Ilhotes – Ramalhete, Cobra, Coco, Altura,
S. Lourenço e Deserta:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Olhão;
  6. Câmara Municipal de Faro;
  7. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  8. Capitania do Porto de Olhão;
  9. Capitania do Porto de Faro.
E) Projecto de Intervenção e Requalificação – Península do Ancão (nascente e poente):
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Faro;
  6. Câmara Municipal de Loulé;
  7. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  8. Capitania do Porto de Faro;
  9. APRAFA - Associação para a Defesa e Desenvolvimento da Praia de Faro;
  10. Associação DUNAMAR.
F) Projecto de Intervenção e Requalificação – núcleo dos Hangares:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Faro;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Olhão;
  8. Associação de moradores do núcleo dos Hangares.
G) Projecto de Intervenção e Requalificação – núcleo da Fuseta:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Olhão;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Olhão;
  8. Associação de moradores do núcleo da Ilha da Fuseta
G) Projecto de Intervenção e Requalificação – núcleo da Fuseta:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Olhão;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Olhão;
  8. Associação de moradores do núcleo da Ilha da Fuseta
H) Projecto de Intervenção e Requalificação – núcleo do Farol:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Faro;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Olhão;
  8. Associação da Ilha do Farol de Santa Maria.
Para consultar a fonte de origem e obter mais informações: www.polislitoralriaformosa.pt/

SF

domingo, 4 de outubro de 2009

O choco - Sepia officinalis


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João Cruz

O choco é um dos moluscos cefalópodes mais conhecidos da costa Portuguesa.
É uma espécie comum em fundos arenosos ou mistos.
Para caçar as suas presas (pequenos peixes e crustáceos) camufla-se no fundo marinho, projectando dois tentáculos modificados (mais longos) para as capturar. Em seguida leva a presa até si, cortando-a com o bico e injectando em simultâneo uma toxina paralisante.
Possuem um grande apetite.
Na época de reprodução (Março-Maio) os machos perseguem as fêmeas, exibindo um padrão tigrado inconfundível. Os ovos (cachos pretos) são fixados em algas e vegetação submersa.

SF

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

The secret

Para reflexão:

video


SF

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Como segurar achigãs de porte

É comum ver fotos de achigãs. Mais comum ainda, é ver fotos nas quais os animais são mal manueseados, podendo o acto conduzir a graves lesões que limitarão a sua actividade futura, podendo mesmo conduzir à morte.
Para todos os que não matam, não vendem achigãs (infelizmente poucos, no triste panorama nacional) e se preocupam com o futuro deste magnífico peixe nas nossas águas, aqui fica a metodologia a seguir (molhar sempre as mãos):

Copyright: © Texas Parks and Wildlife Department

SF

sábado, 12 de setembro de 2009

Epinephelus marginatus - Mero

(Foto de Vitor Lopes)

Epinephelus marginatus
é um peixe da família Serranidae que habita as águas do mediterrâneo e algumas zonas do oceano Atlântico. É uma espécie de peixe que habita zonas rochosas. Costumam também ser encontrados próximos de naufrágios e pilares de estruturas.
Espécie muito vulnerável à pesca, pois possui taxas de crescimento lento; atinge grandes tamanhos, agregando-se para a reprodução; maturam sexualmente tardiamente e são territoriais.

O formato é arredondado e chega a ultrapassar dois metros de comprimento. Apesar de sua imponência, permite que as mãos humanas passeiem por sua pele escamosa.

Principais características:
• Vive até 100m de profundidade.
• Pode viver 40 anos.
• Atinge mais de 2m de comprimento.
• Começam a reproduzir-se com 1,1 a 1,2 metros de comprimento e com 4 a 7 anos de idade.
• Agregam-se perto da foz de grandes rios em épocas e locais conhecidos com a finalidade de encontrarem parceiros para a reproduzir.
O mero é hermafrodita; nasce fémea e torna-se macho em média a partir dos 10kg de peso.
• Gostam muito de comer lagostas.

Os juvenis estão presentes mais junto à costa. Os estudos sobre estes peixes são escassos. Porém, já é verificado em outras regiões estudadas (ex.: Golfo do México) que a biologia da destes animais possui características que tornam a população altamente susceptível a sobrepesca, conduzindo a uma diminuição rápida dos seus efectivos. Cerca de um quarto dos pontos de agregação conhecidos foram totalmente eliminados.
Em Portugal são capturados a caça submarina ou na pesca desportiva, estando em alguns pontos protegidos.
É uma espécie que encanta mergulhadores, dos iniciados aos mais experientes.
Actualmente encontra-se em regressão a nível mundial. A causa mais provável dos drásticos declínios é a pressão forte da pesca em agregados reprodutivos. Quando um grande número de peixes normalmente dispersos, são concentrados em áreas e em horas previsíveis, são altamente vulneráveis. Sua taxa de crescimento lenta, vida longa, e grande tamanho de maturação sexual fazem desta espécie muito vulnerável, diminuindo a variabilidade genética.
O mero vem recebendo atenção de pesquisadores em todo o oceano Atlântico em função de seu status de conservação, classificado como criticamente ameaçado (IUCN, 2006).

Ameaças
A maior ameaça ao mero é provavelmente o homem, desde que é um peixe excelente como alimento, sua carne é deliciosa e branca. São também peixes fáceis de pescar, utilizando-se de uma variedade de artefatos.
Na pesca à linha, a subida do peixe provoca alterações na bexiga gasosa, tornando muito complicada a sua devolução. O método porém existe e é praticado no Brasil com sucesso.
Os meros são peixes que vivem cerca de 40 anos, crescem devagar e demoram a iniciar atividade reprodutiva. Quando se retira um animal tão grande do mar, o papel que este peixe representava no ambiente vai demorar para ser novamente exercido por outro peixe. Outro problema reside no facto dos meros se agregarem, isto é, reunirem-se em datas e locais conhecidos pelos pescadores. Quando estão juntos tornam-se ainda mais vulneráveis.
Não há muitas informações sobre seus predadores naturais, porém os tubarões atacam juvenis em zonas costeiras. Outros serranídeos, barracudas e moreias alimentam-se provavelmente de juvenis (Sadovy et al., 1999). Entretanto, uma vez alcançado a maturidade, poucos predadores podem se alimentar devido seu tamanho e natureza discreta (GMFMC, 2001)

Biologia
Membro da família Serranidae é o maior dos representantes no Atlântico podendo chegar ao peso máximo de aproximadamente 455 kg e são marcados visivelmente por seus cabeça lisa e larga, espinhos dorsais curtos, olhos pequenos e dentes caninos. Sua cor varia de marrom amarelado à azeitona, com os pontos escuros pequenos na cabeça, no corpo e nas barbatanas.
Os machos tendem a mudar a cor ao cortejar. Quanto mais peixes estiverem reunidos, mais intensas são as interaçães entre os indivíduos (Sadovy et al., 1999). Os meros são predadores situados em níveis superiores da cadeia trófica, alimentam-se principalmente de crustáceos, lagostas e caranguejos (GMFMC, 2001). Juvenis alimentam-se de camarões, caranguejos e bagres marinhos. Partes de polvos, tartarugas e outros peixes também foram encontrados (Sadovy et al., 1999). Notavelmente, adultos podem viver aproximadamente 30 anos de idade (26 para machos, 37 para fêmeas). Se a população fosse deixada intacta, poderiam viver acima de quarenta anos de idade (NOAA NMFS, 2001).
O maior problema enfrentado pelo mero é a falta de dados exatos inerentes à biologia da espécie.

Curiosidades
• Diminuição do tamanho médio da população sentida já em 1970.
• A pesca submarina representa a principal causa no declínio dos meros no Golfo do México. Em Portugal, ainda não temos informações suficientes que venham reforçar esta situação para nosso litoral pois trata-se de uma espécie pouco estudada.
• No Golfo do México encontra-se extinto como recurso pesqueiro.
• Padrões simples de gestão não foram suficientes para conter o declínio no Golfo do México.
• Em águas federais do EUA, no caso de captura acidental, devem ser imediatamente liberados.


Meros no mundo
O Mero é encontrado no Mediterrâneo e no Oceano Atlântico. Geralmente estão distribuídos em águas tropicais, mornas-quentes-temperadas, perto de naufrágios, rochas submersas, recifes de corais e outros substratos duros. O mero também é encontrado próximo às Bermudas (embora raro), no Pacífico oriental do golfo da Califórnia ao Peru (chegando provavelmente através do canal de Panamá), no Atlântico oriental de Senegal ao Congo (também raros). Uma vez abundantes em torno das costas da Flórida e partes do golfo do México, hoje são vistos raramente (Sadovy et al., 1999). Existe um consenso em que o mero foi sempre prolifico também fora de ambas as costas da Flórida, onde cientistas descobriram otólitos em comunidades pesqueiras pré-históricas (Sadovy et al., 1999). O Mero aprecia abrigos: furos, cavernas, recifes e naufrágios. São encontrados principalmente em águas rasas, baías e estuários nos Everglades, Baía da Flórida e Florida Keys. Juvenis procuram abrigos em zonas costeiras, enquanto adultos em torno de naufrágios mais afastados da costa. Grupos de juvenis as vezes formam cardumes em torno de naufragios e recifes em profundidades de aproximadamente 45m, mas a maioria são encontrados em torno dos habitats rasos inshore.
No golfo de México, o acasalamento atinge o pico entre julho e setembro (Sadovy et al., 1999). Agregam-se em locais específicos em números de até 100 indivíduos.
Uma vez comum em águas fora da Florida e do Golfo do México há trinta anos, nenhum agregado foi observado fora da costa do leste da Florida nos últimos 25 anos. Agregados de até 150 peixes caíram a aproximadamente 10 em 1989 na parte oriental do Golfo do México. Entre 1979 e 1994 não houve nenhuma observação visual da espécie no parque nacional de Biscayne, Florida à Dry Tortugas e Florida Keys (Sadovy et al., 1999).
Na Flórida, o Mero está sendo monitorizado há alguns anos por investigadores.
Desde 1994, estudos em populações de meros no Golfo do México têm conduzido à observações de agregados reprodutivos de meros com aproximadamente 50 indivíduos a cada verão. Os cientistas têm trabalhado desde 1997 recolhendo dados de abundância de juvenis e de adultos, distribuição, idade, crescimento e uso do habitat, marcando e recapturando Meros. Estes estudos visam compreender padrões sazonais de migração e revelar informações sobre a utilização do habitat (NMFS/SEFSC).

Em Portugal
O mero tem uma distribuição geográfica no nosso país desde o algarve, até à zona de Peniche (Berlengas)
A maior população encontra-se na costa alentejana, dede o norte da zona de Sines até a zona do cabo Sardão (constitui também presença regular na costa vicentina).
Vive em média até aos 200 metros, podendo ser encontrado a partir dos 15/20 metros. Gosta de fundos bastante acidentados que usa como trunfo para as emboscadas aos seus alimentos favoritos: pequenos peixes, polvos e chocos.
Costuma ser capturado à linha utilizando a técnica de jigging. Se as condições o permitirem, deve ser imperativamente devolvido.
Na pesca profissional, são utilizadas as mesmas técnicas da pesca à corvina com isco vivo, utilizando principalmente o choco e a lula.
Na caça submarina deve-se evitar arpoar estes peixes.

Neste momento, a captura de meros em pesca submarina está proibida no continente e ilhas... um absurdo, pois todos os anos são capturadas 100 000 toneladas de meros a nível continental e insular, através da pesca profissional.
O seu crescimento é em média de um quilo por ano. Pode viver até 40/50 anos, atingindo 40/50 kg de peso... havendo registo de um mero pescado à linha em Sagres durante a decada de 90, que pesou 51kg de peso.



Parte do texto retirado do site Meros do Brasil.

SF

sábado, 5 de setembro de 2009

Lunkercam

Observação on-line de achigãs de boca grande da Flórida no seu habitat natural (por Glen Lau, autor de "Bigmouth Forever").

Lunkercam

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

1º Festival do achigã em Odemira

O empobrecimento dos stocks de achigã nacionais é uma realidade.
A falta de gestão adequada e responsável, associada à delapidação levada a cabo por pescadores lúdicos e de competição (para pagar os seus luxuosos barcos, etc.), estão a dizimar a espécie em águas nacionais.
Para cúmulo, sucedem-se eventos locais (autênticos tesouros deprimentes) dignos de um país do terceiro Mundo.
Odemira é um concelho magnífico e com muitos pontos fortes. A valorização da conhecida espécie de Santa Clara, devia ser feita através de actividades que tivessem em vista a sua preservação e não o contrário.
Com uma gestão cuidada, as águas de Santa Clara poderiam ser um exemplo a nível Nacional e trazer milhares de pescadores e turistas para o concelho, desenvolvendo o turismo local como nunca. Já este evento, é degradante e um passo para trás no tempo.
Aqui fica o meu repúdio para com as entidades envolvidas: Comissão Fabriqueira da Igreja de Santa Clara-a-Velha (com o apoio do Município de Odemira, da Junta de Freguesia de Santa Clara-a-Velha, do Jornal Costa a Costa e da Rádio Maré Alta).

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