quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A esperança renasce

Mais de trinta anos após o desaparecimento do lince em Portugal, o dia 26 de Outubro constitui uma data histórica para a espécie.
Azahar (em árabe flor de laranjeira), uma linda fêmea, deu os seus primeiros passos no Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro para o Lince-Ibérico (CNRCLI), num espaço de 800 m2 para si criados.


                                                                       Origem da Foto: DN
Este exemplar é proveniente de Espanha, mais concretamente da serra Morena (Andaluzia), onde foi capturada em Janeiro de 2006.
"Estava muito magra e tinha uma vértebra fracturada", conta Iñigo Sanchez, conservador do Zoobotânico. Foi tratada e escolhida para recuperar os linces-ibéricos em Portugal. Espera-se que consiga engravidar, pois até agora estava num meio urbano e stressante que se pensa que impediu a procriação. Azahar percorreu mais de 350 quilómetros desde o Zoobotânico de Jerez de La Frontera (Espanha) até ao centro, localizado junto à barragem de Odelouca (Concelho de Silves). O percurso foi efectuado lentamente para evitar assustar o animal, tendo direito a batedores da polícia.
Todos os pormenores foram meticulosamente tidos em conta. Maria José Coca, a sua tratadora, muito dificilmente conseguiu conter as lágrimas no momento da partida.
O CNRCI está localizado em plena serra algarvia, longe dos olhares indiscretos.
Azahar vai ser monitorizada a tempo inteiro por câmaras de vídeo, com o mínimo contacto possível com os seus tratadores. Vai esperar por dez machos e seis fêmeas que chegarão até dia 1 de Dezembro.
O presidente do ICNB esclareceu que trabalham há dez anos a criar habitats e coelhos-bravos, para que estejam reunidas as condições para o regresso da espécie a Portugal.
Em Espanha, conseguiram-se obter cerca de 50 crias em cativeiro, desde que se deu início a um projecto semelhante. Espera-se que em Portugal o sucesso seja idêntico.
"No futuro, a área de introdução vai desde a Beira Alta até ao Algarve", explicou Rodrigo Serra, director do CNRCLI. Dependendo da adaptação e das condições naturais, espera-se que dentro de dois a três anos os linces estejam reintegrados no meio natural. Só nessa altura será possível ver o lince-ibérico, porque até lá não há visitas.

Para o sucesso deste projecto serão vitais as seguintes medidas:
-introdução massiva de coelhos-bravos (alimento preferencial do lince);
-preservação de habitats através de medidas duras e eficazes;
-formação adequada de todos os habitantes do interior, explicando o porquê da necessidade deste felino na natureza;
-monitorização dos exemplares introduzidos posteriormente na natureza;
-implementação de penas pesadíssimas a todos os que de modo voluntário desencadeiem acções que ponham em causa a integridade de exemplares da espécie (é sobejamente conhecida por todos a atitude da maioria dos caçadores portugueses);
- prémios e ou benefícios muito significativos para todos os gestores de coutos/zonas de caça que fomentem a preservação da espécie, nas suas áreas;
-definição de medidas que permitam diminuír ou mesmo eliminar os riscos de morte por atropelamento (principal causa de morte);
-promoção da espécie junto dos mais jovens (nas escolas), pois estes desempenharão um importante papel no futuro.


As ameaças que pairam sobre o sucesso da reabilitação deste felino são muitas e a tarefa do ICNB/CNRCI, é deveras difícil.



                                                                          O rosto da esperança

Todas as medidas que possam ser decisivas para o regresso do lince a Portugal, contam incondicionalmente com a minha admiração e o meu apoio. A todos os intervenientes, desejo as maiores felicidades e êxito, pois nas suas mãos reside o futuro da espécie em Portugal e no mundo.
Um bem hajam!

S. Ferreira

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Polis Litoral Ria Formosa

Polis litoral ria formosa O Polis Litoral Ria Formosa é a primeira operação integrada de requalificação e valorização da orla costeira a entrar em fase de concretização. Neste âmbito foi constituída, pelo Decreto-Lei n.º 92/2008, de 3 de Junho, a Sociedade Polis Litoral Ria Formosa S.A. - Sociedade para a Requalificação e Valorização da Ria Formosa.

É uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, com a participação maioritária do Estado e minoritária dos municípios de Loulé, Faro, Olhão e Tavira. Tem por objecto a gestão, coordenação e execução do investimento a realizar na Ria Formosa, com vista à realização das operações previstas no Plano Estratégico e à prossecução dos seus fins.

O Plano Estratégico está elaborado, tendo por base o quadro estratégico da intervenção elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado por Despacho nº.18 250/2006, de 3 de Agosto, pelo Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional e aprovado pela Assembleia Geral da Sociedade e pelo município de Vila Real de Santo António.

As actividades desta entidade prosseguem os seguintes eixos estratégicos:

- Preservar o património natural e paisagístico, através da protecção e requalificação da zona costeira visando a prevenção de risco e da promoção da conservação da natureza e biodiversidade no âmbito de uma gestão sustentável;

- Qualificar a interface ribeirinha, através da requalificação e revitalização das frentes de ria, da valorização de núcleos piscatórios e do ordenamento e qualificação da mobilidade;

- Valorizar os recursos como factor de competitividade, através da valorização das actividades económicas ligadas aos recursos da ria suportada no seu património ambiental e cultural.

A Polis Litoral Ria Formosa propõe-se à realização de projectos e acções que conduzam ao desenvolvimento associado à preservação do património natural e paisagístico, que incluam acções de protecção e requalificação da zona costeira visando a prevenção de risco, a promoção da conservação da natureza e biodiversidade no âmbito de uma gestão sustentável, a valorização dos núcleos piscatórios e a qualificação e ordenamento da mobilidade na ria, a valorização dos “espaços” ria para fruição pública e a promoção do património natural e cultural a ela associado.

Para a área da Ria Formosa perspectiva-se uma intervenção em 48 km de frente costeira e em 57 km de frente lagunar nos Municípios de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António, incluindo a área protegida do Parque Natural da Ria Formosa.

Para o acompanhamento dos projectos são criadas comissões específicas, cuja composição deve traduzir a natureza dos interesses a salvaguardar em cada um dos espaços referidos. As áreas a reestruturar incidem nas ilhas da Culatra e da Armona, para as quais foram designadas quatro comissões para acompanhar os Projectos de Intervenção e Requalificação, em despacho de 24 de Outubro de 2008, pelo ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Francisco Nunes Correia.

As comissões são compostas por um representante de cada uma das seguintes entidades:

A) Plano de Pormenor da Praia de Faro:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Faro;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Faro;
  8. APRAFA – Associação para a Defesa e Desenvolvimento da Praia;
  9. Associação DUNAMAR;
B) Projecto de Intervenção e Requalificação - Culatra:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Faro;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Olhão;
  8. Associação dos Moradores da Ilha da Culatra;
C) Projecto de Intervenção e Requalificação – Armona:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Olhão;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Olhão;
  8. LAIA - Liga dos Amigos da Ilha da Armona
D) Projecto de Intervenção e Requalificação – Ilhotes – Ramalhete, Cobra, Coco, Altura,
S. Lourenço e Deserta:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Olhão;
  6. Câmara Municipal de Faro;
  7. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  8. Capitania do Porto de Olhão;
  9. Capitania do Porto de Faro.
E) Projecto de Intervenção e Requalificação – Península do Ancão (nascente e poente):
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Faro;
  6. Câmara Municipal de Loulé;
  7. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  8. Capitania do Porto de Faro;
  9. APRAFA - Associação para a Defesa e Desenvolvimento da Praia de Faro;
  10. Associação DUNAMAR.
F) Projecto de Intervenção e Requalificação – núcleo dos Hangares:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Faro;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Olhão;
  8. Associação de moradores do núcleo dos Hangares.
G) Projecto de Intervenção e Requalificação – núcleo da Fuseta:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Olhão;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Olhão;
  8. Associação de moradores do núcleo da Ilha da Fuseta
G) Projecto de Intervenção e Requalificação – núcleo da Fuseta:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Olhão;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Olhão;
  8. Associação de moradores do núcleo da Ilha da Fuseta
H) Projecto de Intervenção e Requalificação – núcleo do Farol:
  1. Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, S.A., que preside;
  2. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade;
  3. Administração da Região Hidrográfica do Algarve;
  4. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve;
  5. Câmara Municipal de Faro;
  6. Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
  7. Capitania do Porto de Olhão;
  8. Associação da Ilha do Farol de Santa Maria.
Para consultar a fonte de origem e obter mais informações: www.polislitoralriaformosa.pt/

SF

domingo, 4 de outubro de 2009

O choco - Sepia officinalis


video

João Cruz

O choco é um dos moluscos cefalópodes mais conhecidos da costa Portuguesa.
É uma espécie comum em fundos arenosos ou mistos.
Para caçar as suas presas (pequenos peixes e crustáceos) camufla-se no fundo marinho, projetando dois tentáculos modificados (mais longos) para as capturar. Em seguida leva a presa até si, cortando-a com o bico e injetando em simultâneo uma toxina paralisante.
Possuem um grande apetite.
Na época de reprodução (Março-Maio) os machos perseguem as fêmeas, exibindo um padrão tigrado inconfundível. Os ovos (cachos pretos) são fixados em algas e vegetação submersa.

SF