
A boga-do-guadiana é uma das várias espécies do género existentes em Portugal.
Caracteriza-se por um aspeto fusiforme e alongado. Não apresenta barbilhos e na zona inferior da boca possui uma placa de bordo cortante destinada a raspar alimento do fundo.
É um peixe comum em alguns cursos de água Algarvios, podendo atingir cerca de 30 cm de comprimento e 400-500g de peso.
Alimenta-se de invertebrados (moluscos e larvas de insetos), assim como de vegetais.
Na primavera efetua migrações para zonas de água corrente pouco profunda, onde as fêmeas libertam os ovos (1.000 a 7.000) que são imediatamente fecundados. É um espetáculo ver os peixes nesta altura crucial. De referir que neste período, os machos apresentam os típicos tubérculos nupciais, comuns a outras espécies de ciprinídeos (como o barbo).

Aproveitando o facto, é hábito as gentes do interior colocarem redes neste período, o que é de todo condenável e deverá ser objeto de uma ação firme da nossa parte.
Estes peixes desempenham um papel muito importante nas populações de achigãs, porque em determinados lugares são o seu principal alimento. É costume os achigãs ficarem suspensos, perseguindo os cardumes de bogas.
Com a chegada de espécies invasoras, como o alburno, introduzidos de forma criminosa por indivíduos com poucos escrúpulos, as bogas correm sérios riscos.
Teme-se que o futuro seja algo negro, se não forem desencadeadas medidas de conservação da espécie.
S. Ferreira