quinta-feira, 3 de setembro de 2009

1º Festival do achigã em Odemira

O empobrecimento dos stocks de achigã nacionais é uma realidade.
A falta de gestão adequada e responsável, associada à delapidação levada a cabo por pescadores lúdicos e de competição (para pagar os seus luxuosos barcos, etc.), estão a dizimar a espécie em águas nacionais.
Para cúmulo, sucedem-se eventos locais (autênticos tesouros deprimentes) dignos de um país do terceiro Mundo.
Odemira é um concelho magnífico e com muitos pontos fortes. A valorização da conhecida espécie de Santa Clara, devia ser feita através de atividades que tivessem em vista a sua preservação e não o contrário.
Com uma gestão cuidada, as águas de Santa Clara poderiam ser um exemplo a nível Nacional e trazer milhares de pescadores e turistas para o concelho, desenvolvendo o turismo local como nunca. Já este evento, é degradante e um passo para trás no tempo.
Aqui fica o meu repúdio para com as entidades envolvidas: Comissão Fabriqueira da Igreja de Santa Clara-a-Velha (com o apoio do Município de Odemira, da Junta de Freguesia de Santa Clara-a-Velha, do Jornal Costa a Costa e da Rádio Maré Alta).

Notícia

14 comentários:

António Matos disse...

Mais um tiro no Pé, um peixe que vale para qualquer região do Pais muito mais dinheiro vivo do que morto.

Tudo a troco de dinheiro rápido.
Desmoralizante o que acabei de ler, já não bastava o festival de Vila de Rei que durante anos deu cabo de toneladas de achigans e formou mal as pessoas da região de castelo de bode que passaram a ver o peixe como algo que se pode trocar por dinheiro rápido, em vez do puro prazer de pescar.

Paulo Correia disse...

De facto, Portugal no seu melhor!!

Ou, como já dizia o Eça: "Portugal é um país muito bonito, o problema é os Portugueses."

S. Ferreira disse...

Assim é, António.

Cumprimentos.

S. Ferreira disse...

Sem comentários, Paulo.

Um abraço.

António disse...

Fiquei admirado com o que li sobre o estado do achigá em portugal.Um verdadeiro troféu desportivo que vale o seu peso em ouro práticamente destruído.
Pensando melhor,olho para o que se está a passar com o robalo, o sargo a dourada e outras espécies com um valor desportivo fantástico,e o que vejo é o saque de toda a costa.
Mas na caça é exactamente o mesmo,as rolas bravas em processo de extinção,os tordos é um desastre,as perdizes já só à de capoeira.
Os incêndios já têm época.
É o que se deve esperar do desenvolvimento sócio cultural de um povo.

S. Ferreira disse...

António, de facto, no que diz respeito à conservação da Natureza, Portugal vai de mal a pior.
Nenhum Governo fez nada até hoje e a devastação continuará, devido à falta de fiscalização e de legislação justa/ajustada à realidade.

Cumprimentos.

SF

Sargus disse...

Boas Sérgio.

Quanto a este assunto já tínhamos trocado umas palavras...

Na realidade, surgirá sempre a questão de não ser uma espécie autotone, e sendo uma espécie introduzida, será um "elo mais fraco" a abater por aqueles que até hoje não tiveram a visão apurada ou o conhecimento sobre o que este recurso de águas interiores poderia trazer para uma determinada região.

Falo obviamente no desenvolvimento de uma região interior devidamente sustentado, com regras definidas e com o aproveitamento turístico das zonas interiores, normalmente associadas a grandes barragens. Temos alguns exemplos do que os nossos hermanos tem feito neste sector, e também na caça em termos de comparação, mas existem mais exemplos...

Um projecto inter-municipal entre Odemira e Ourique para aproveitamento de Santa Clara vinha mesmo a calhar, com uma fiscalização e defesa dos poucos bons exemplares que la existem, li à uns tempos numa revista da especialidade que existe muito boa gente disposta a pagar euros para praticarem a pesca do achigã, desde que para isso tenham a garantia de bons exemplares para capturarem, e quando falo em capturarem é sem morte, uma captura de um achigã com 3 ou 4 kg dá uma boa foto de um troféu, se esse exemplar for devolvido à água daria muitas fotos e alegrias a muito boa gente, ganharia a pesca desportiva, as espécies a região e a zona em causa. E quantos euros não daria esse exemplar???

Estamos a falar de uma zona de águas interiores bastante limitada em termos de espaço quando comparada com um rio ou mar, como é óbvio.

Felizmente para a espécie nem pratico este tipo de pesca, da minha parte está salvaguardado, mas compreendo perfeitamente as palavras.

S. Ferreira disse...

É um problema antigo, Fernando.
Como tudo o que tem a ver com ambiente, este assunto não interessa ser debatido e vai caindo no esquecimento.

Um abraço.

Anônimo disse...

Caros amigos.

Devem primeiro perguntar o seguinte:

Porque foi introduzido o achigã nas barragens do interior do pais, nomeadamente no alentejo? Para, antes de mais complementar a dieta das populações locais muito pobre em peixe devido ao isolamento.
Dito isto, sabem que é perfeitamente legal pescar e consumir o peixe em questão?
Então qual é o problema de se fazer um festival do Achigã. Não fazem fextivais de Marisco, etc... , etc... por esse país fora?

Deviam era preocupar-se em FISCALIZAR a pesca durante o defeso ou aumentar até esse periodo de defeso de modo a proteger as espécies e permitir que ambas as actividades (Pesca Desportiva e Pesca para Consumo) possam continuar.

É que isto não pode ser visto só por um ponto de vista....

é muito bonito falar em conservação quando se está de fora e não se vive o dia a dia nos locais..

Jorge Guerreiro

S. Ferreira disse...

Sr. Jorge Guerreiro, respondendo às suas afirmações:

"Porque foi introduzido o achigã nas barragens do interior do pais, nomeadamente no alentejo? Para, antes de mais complementar a dieta das populações locais muito pobre em peixe devido ao isolamento.
Dito isto, sabem que é perfeitamente legal pescar e consumir o peixe em questão?
Então qual é o problema de se fazer um festival do Achigã. Não fazem fextivais de Marisco, etc... , etc... por esse país fora?"

Este não foi o principal objectivo da introdução do achigã no nosso país, mas sim introduzir uma espécie de valor para a pesca desportiva. O sul do país nos anos 50/início 60 apenas possuía carpas e barbos como espécies situadas no topo da cadeia alimentar.
O seu consumo como fonte de proteínas é secundário e apenas pode ser encaixado num Portugal de há 30-40 anos atrás, em que as populações interiores estavam mais limitadas no que respeita ao acesso a géneros alimentícios frescos.
Quanto ao consumo, o mesmo não é proíbido. É sim proíbido comercializá-lo!!
Nada tenho contra todo o tipo de eventos que visam desenvolver ou atraír pessoas para o interior. Mas não comungo de iniciativas ilícitas que apenas contribuem para o empobrecimento de uma espécie já ameaçada e ainda para a fomentação de práticas que apenas convidam à sua erradicação.
O consumo desta espécie não me choca também porque não sou um indivíduo fundamentalista. Mas este em caso algum deve ser fomentado através deste tipo de iniciativas, porque no nosso país não existe qualquer política de gestão piscícola.
Se é uma pessoa realmente atenta, sabe perfeitamente as atrocidades que se praticam por este país fora, a falta de fiscalização e a total falta de apoio para a espécie. Tendo tudo isto em conta, o evento em si é totalmente desprovido de sentido e deve ser rotulado como um espectáculo deprimente. Se existisse justiça, as entidades realizadoras deviam pagar caro pela fomentação à captura e venda (a última ilegal) e também pelo incentivo ao consumo num panorama de declínio da espécie.

"Deviam era preocupar-se em FISCALIZAR a pesca durante o defeso ou aumentar até esse periodo de defeso de modo a proteger as espécies e permitir que ambas as actividades (Pesca Desportiva e Pesca para Consumo) possam continuar"

Impossível no panorama nacional actual. Mesmo que a fiscalização fosse efectiva, em caso algum teríamos efectivos para tal, devido à ausência de gestão e de repovoamentos.

"É muito bonito falar em conservação quando se está de fora e não se vive o dia a dia nos locais.."

Será que estou fora? Acho que se me conhecesse ficaria admirado:)

Já agora aproveite para dar uma volta na net e contemplar os pormenores relativos à gestão da espécie nos EU e Canadá, para ter uma noção da riqueza e atracção de pessoas, criadas através de politicas eficazes. Garanto-lhe que Odemira iria retirar infinitos dividendos de acções semelhantes, saltando para a ribalta, me vez de ser lembrada por espectáculos tristes e deprimentes.

Cumprimentos.

SF

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

Sabiam que alguns dos participantes na pesca desportiva, vivem o ano todo da venda da achigã que pescam na barragem de Santa Clara a Velha?

E os motores dos barcos dos pescadores! Também não poluem as aguas onde a achigã habita?
Que tal pescarem com meios não poluentes?

Não se esqueçam que a agua da barragem de santa clara abastece o consumo publico do concelho de Odemira.

Tudo o que se deixou dito, não é do terceiro mundo?

S. Ferreira disse...

Caro anónimo.
Há muito indivíduo a vender achigãs. Muitos deles pagam os seus barcos à conta da venda deste peixe.
Quanto ao facto de se pescar em Sta. Clara com motores de combustão, não concordo, mas é permitido por lei.
Temos casos de mais barragens em que a proibição impera, mas os abusos são normais, devido à falta de fiscalização.

Cumprimentos.